Feist – Metals


Por Paulo Floro

Depois de tornar-se uma espé­cie de musa do rock inde­pen­dente com Let It Die (2004), a can­tora cana­dense Feist deci­diu explo­rar o que tinha de diva pop em seu álbum The Reminder (2007), sobre­tudo com hits dan­çante como “1,2,3,4″. Cinco Grammy e mais de 2,5 milhões de álbuns depois, ela retorna com uma pro­posta seme­lhante ao seu iní­cio de car­reira, quando ainda estava ligada ao cole­tivo de músi­cos Broken Social Scene.

Metals traz uma Feist mais crua, sem pae­tês e lurex, como o disco ante­rior. Deve agra­dar aos fãs mais anti­gos que se acos­tu­ma­ram a sofrer ouvindo as letras can­ta­das por seu tim­bre firme, mas ave­lu­dado. De fato, a voz dela com­bine bas­tante com esse tipo de can­ção que o indie rock ame­ri­cano se espe­ci­a­li­zou em pro­mo­ver. Com influên­cias mais vol­ta­das ao coun­try, o disco é triste e parece mais uma res­saca da ale­gria e alento que foi o The Reminder.

Todo o con­ceito do disco parece pas­sear por uma pro­posta mais tra­di­ci­o­nal, ligada às raí­zes do alt-rock norte-americano. Está mais básico, sem tan­tos ele­men­tos pop, e pode­mos até per­ce­ber certo con­ser­va­do­rismo. “A Commotion” é o máximo que con­se­gui­mos ir além dos pia­nos, cor­das e voz tími­dos de Feist. De resto o que temos é uma pro­posta mais inti­mista, e muita — mas muita — melan­co­lia. Nesse que­sito se des­taca a pri­meiro sin­gle, “How Come You Never Go There”.

Muitos fãs vão cur­tir esse momento mais intros­pec­tivo depois de uma expo­si­ção mas­siva e sucesso em todo o mundo con­se­guido pela cana­dense. É uma demons­tra­ção de força e mos­tra que o acre­ditô­me­tro de Feist em sua pró­pria car­reira con­ti­nua alto. É uma pena que ela não tenha se arris­cado mais. Até mesmo em rela­ção ao seu pri­meiro álbum, Monarch (1999) e mesmo os melho­res momen­tos do Broken Social Scene, Metals mostra-se infe­rior. Mas, a moça quer ficar qui­e­ti­nha por hora. Tudo bem.

via revistaogrito.com

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